BRASIL, Mulher, Livros, Arte e cultura, jogos e esportes

 

   

    Diários da Bicicleta
  Cadê o Revisor?
  Ler para Crescer
  Maria Amália Camargo
  Movimento Livro na mão
  Vivo de Coincidências
  Betty Bib
  Garota Bossa Nova
  Bichinhos de Jardim
  Horas Serenas
  Marcelo Maluf
  Palavra Chave


 

 
     

       
       

       


     
     
    Blog da Paulinha



    Subscritou-se

    Mais um conto. Bem humorado

    Subscritou-se

    Ele apanhou o envelope, subscritou-se e fechou-se. Mais rápido que das outras vezes. Agora só esperar.

    Narciso acordou. Acordou inexpressivo, não sentia nada. Ainda com sono, caminhou até o banheiro e, como sempre, parou para olhar a foto de sua mãena parede. Sua falecida mãe é a única lembrança de sua infância. Uma lembrança distante, acompanhada de sensações fortes de pavor e dor.

    Mas Narciso não teve medo ao olhar a foto, imaginou que isso se deveu à noite mal dormida, afinal, sonâmbulos eventualmente acordam indispostos.

    Voltando ao quarto, ligou a televisão. Estava passando "O Suicídio do Rei", filme que nunca conseguiu assistir. Era livre, mas o clímax do rei na forca sempre o apavorava. Na realidade, tudo que envolve dor ou morte sempre apavorou-o.

    Algo lhe fez sair do transe de sua indiferença. Um envelope no chão. Não estava lá antes de adormecer. E ele, sonâmbulo, só realiza ações mecânicas. Escrever nunca fora uma ação constante.

    Ele, com um pouco de receio, pega o envelope e, para sua surpresa, havia uma carta endereçada a ele.

    Narciso, preciso verbalizar o que você sabe mas não lembra.  E você não pode continuar o que eles começaram. Infelizmente, você não terá as mesmas sensações e precisará agir com a razão. Atenciosamente, seu inconsciente.

    Narciso perecebeu que sabia. Sempre soube. As lembranças de seus parentes se suicidando passaram como um filme em sua mente.

    A corda! Pegou-a no armário e pensou.

    Finalmente consciente, hora de terminar o que começei.

    Colocou-a em seu pescoço e fechou os olhos.

    Quase ouviu o envelope rir, triunfante.

     5629161953_c81a0d47a0_z_large



    Escrito por Paula Akkari às 18h55
    [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





    [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]